Não, eu não esqueci que tenho um blog!! Juro. E não é por causa dos cortejos carnavalescos que decidi escrever novamente sobre a minha viagem; embora os bonecos de Olinda sejam bem inspiradores. E seguindo os pensamentos do Amyr Klink: “Muito pior que não completar uma viagem, é nunca partir…”
As expectativas eram grandes para minha 1ª folga do navio, mas nada ocorreu como eu havia planejado. Esse foi o dia dos problemas com o name tag, narrado em posts anteriores. O bom filho à casa retorna. Na excitação da chegada em solo tupiniquim, a marinheira ruiva de primeira viagem – literalmente – acabou esquecendo o passe de entrada e saída do navio. Não consegui sair junto aos meus colegas. Acabei desbravando essas terras, com uns passageiros, que como eu, não queriam gastar, e faziam turismo pé-de-chinelo.
Minha primeira impressão de Recife é de uma cidade para turistas com dinheiro, que pegam táxi para todos os lados. Caminhamos muuuuito, perto do porto, até achar uma casa de câmbio. A região portuária me pareceu bem industrial, ainda pouco desenvolvida, em aspectos turísticos; embora, visualmente, a natureza seja privilegiada, como boa parte do nordeste brasileiro. É uma cidade antiga, definitivamente, com o peso da história do Brasil em sua arquitetura.

Optamos por conhecer Olinda primeiro, de ônibus, obviamente – procurar os bonecões cabeçudos, e animados bailarinos de frevo – e depois visitar uma praia de Recife, famosa pelos tubarões. Completamos o checklist, com direito a banho de mar, sem perda de membros inferiores ou superiores, que por sorte, os tubarões não estavam famintos!!!
Olinda foi realmente marcante, o ápice do passeio. Nos indicaram subir até a parte mais elevada da cidade, com melhor visual, conseqüentemente. Foi uma ofegante e escaldante caminhada, com sol a pino, e provavelmente uns 70°C, ao menos sobrou uma graninha extra para o almoço, e para um inevitável sorvete. Os bonecos estavam lá, por todos os lados, sorridentes e cabeçudos, com seus braços desgovernados. O povo que vivia no alto do morro era simpático e amistoso. Os meninos acabaram comprando os típicos guarda-chuvinhas de frevo, e receberam uma aula do vendedor. Eu fiquei filmando, já tinha recebido um daqueles, de presente da minha irmã, portanto, não tive direito à aula. Nem que eu quisesse, não teria coragem de dançar frevo no meio da rua.


A beira-mar de Recife tinha aspecto diferente da região portuária, moderna, com prédios enormes. Na areia havia placas alertando a presença de tubarões naquelas águas, entrei com medo, mas a temperatura era tão convidativa que decidi sair somente em caso de mordida de tubarão ou se acabasse meu tempo de folga, pq logo tinha que trabalhar.
Os passageiros tinham mais algumas horas de folga, mas eu tive que ir trabalhar, voltei sozinha e quase me perdi, naquela região deserta e industrial, perto do porto. O passeio valeu a pena, e foi início de uma boa temporada brasileira. Próxima parada: Salvador. Aguardem!!!