Posts Categorizados ‘Cultura

08
fev
11

Depois da meia noite…

Escrevo a noite para dormir em paz com os pensamentos, para aliviar a sede de tranquilidade do meu coração. Sorte de quem tem olhos belos pela manhã, menos inchados e sem olheiras. Há dias tento encontrar minha inspiração diurna, mas a letras engasgam na minha mente, os dedos paralisam para não digitalizar minhas idéias. Me indicaram manter um bloquinho ao lado da cama, mas o computador ainda estava ligado. Sorte de quem tem olhos belos pela manhã.

Achei uma impecável citação de Mário Quintana, que me desincha os olhos e alivia a dor de ser noturna:

“Quando eu for, um dia desses,

Poeira ou folha levada

No vento da madrugada,

Serei um pouco do nada

Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar

Pareça mais um olhar,

Suave mistério amoroso,

Cidade de meu andar

(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso…”

Sempre se deve duvidar das citações da internet, mas de tão bonito, não duvidei que fosse mesmo do Quintana. Fica o mistério. Ainda que eu tenha palavras para fazer poesia, o medo impede de se mostrar no íntimo. Escolhi para profissão, algo que por sorte, atualmente, me permite usar óculos escuro, para esconder o hobby da madrugada. Segue uma reportagem de divulgação do trabalho que me ocupa nos últimos tempos…

 http://www.correiodopovo.com.br/impresso/?ano=116&numero=127&caderno=15&noticia=253710

24
jan
11

Frankenreiter.

A inspiração é algo inexplicável mesmo. Um dia acordei, no meio da madrugada, louca para escrever sobre o que deveria ser meu próximo post, mas não o fiz. Agora a inspiração não vem mais. ¬¬ Deixei na fervura. O passado, o presente e o futuro estão me confundindo. A inspiração voltou por um momento, ouvindo as música de um certo surfista, praiano, boa gente, que vive o que muita gente sonha. Ingressos na mão. Show do Donavon Frankenreiter, dia 29/janeiro, em Atlântida, no Maori Beach Club. Eu vou.

http://www.kboing.com.br/donavon-frankenreiter/ Acessa aí, para inspirar, para sonhar como quer viver.

“Vida longa a quem tem coragem.”

24
nov
10

Madrid

É como um amor platônico. Você gosta, mas só de longe, não chega nem a acariciar. Tenho um caso mal resolvido, eu, Madrid, Madrid e eu. Passei só algumas horas lá, era ponte de conexão para um voo. Só deu tempo de conhecer um barzinho charmoso, o hotel, umas estradas e o aeroporto mesmo. A comida local era boa, o atendimento excepcional, tanto no bar, quanto no hotel. Até o taxista era legal. Nem precisei testar meus conhecimentos de ‘portunhol’, eles mandavam bem no inglês.

Entendam…o português e o espanhol são meio-irmãos, filhos do Latim; mas nada impede de dar umas confundidas, às vezes, afinal eu nunca estudei essa língua. Então, me comunico, estilo portunhol embromation, mas foi de comum acordo que era mais fácil entender meu inglês. :D Hoje eu até minto que falo espanhol, mas na verdade só aprendi a embromar direitinho.

O hotel era ótimo!! Melhor ainda pq eu não paguei, foi aos custos da empresa. Pena que eu não consegui desfrutar. Estava tão nervosa com a minha ida para o navio, que não dormi naquela noite!!! Fique olhando o Big Brother de lá, desfiz e refiz toda mala, fui em um bar, fui na internet, tomei um banho de 2h e nada do sono aparecer. Não conseguia parar de pensar sobre a vida a bordo. Acho que nunca estive tão nervosa como nesse dia. Chegava a tremer.

Nem pude explorar as riquezas, o ouro, o flamenco, as touradas, a paella..mas um dia Madrid vai deixar de ser platônico. Segue um vídeo que inspira minha volta, para conhecer melhor um pouco dessa cultura maravilhosa.

24
nov
10

London

A imagem do Big Ben e da London Eye no quarto do meu namorado, toda a vez, me faz lembrar as minhas passeadas por essa cidade excepcional. Sem dúvidas é digna de uma rainha. Muito difícil definir Londres em palavras, por isso da demora da postagem. Pensei, “o que vou escrever sobre Londres?”, é impossível!! Vêm mil imagens na cabeça: multicultural, multiracial, muitos estilos, muitas línguas, religiões, muita liberdade, muita expressão, muita música, arte, eventos, comidas, trens, muita riqueza, modernidade, antiguidade, museus, moda, educação, respeito, muito avanço em relação ao meu Brasil. Londres é MUITO para mim. É muita saudade.

Além do que o turismo divulga a todos, ainda tem muito mais. Não deixe de ver o Big Ben, London Eye, Tower Brigde, Piccadily Circus, Palácio de Buckingham, Madame Tussaud, troca da guarda, ônibus de dois andares, e todos os clássicos pontos turísticos. Mais que isso…Vá no bairro alternativo Camden Town, vá em bairro afastado - tipo Watford Junction, onde ficava minha primeira ‘casa’, YMCA. Tome uma cerveja nas ruas de Covent Gardens, estilo Ossip. Visite toooodos os museus. Vá na Harrods, loja que a rainha faz compras, mas compre na Primark, que é muito barato. Vasculhe Piccadilly, Oxford, Soho, China Town de cima a baixo, com tantas lojas, livros, pessoas, comidas, arte, dança de rua, festas, tudo!! Use trem, metrô, ônibus, táxi, mapas, caminhe. Caminhe de dia, de tarde, de noite, de madrugada. Vá aos parques, faça um piquenique no Green Park, caminhe 3 ou 4h no Regent’s Park, e ainda assim não terá conhecido todo. Tire uma foto como os Beatles, na Abbey Road. Há tanto a fazer.

*

A primeira vez que fui em Londres, fiquei 3 semanas lá, fazendo um treinamento pesado, para poder trabalhar a bordo de um navio. Estudo de domingo a domingo; manhã, tarde e noite. Díficil. E foi trabalhando para uma empresa Britânica, que pude ter esse ótimo treinamento. Nível de realeza, como tudo de lá. Até o ruim é bom em Londres. Tive algumas objeções em relação a língua, na verdade ao sotaque. Meu ‘anjo da guarda’ brasileiro, Didiê, me perguntou se eu entendia o que a voz no metro dizia, nos primeiros minutos em solo Britânico. E eu tive que mastigar a batata que eles guardam na boca quando falam, para entender. Treinar os meus ouvidos, acostumados com inglês americano. Em 3 dias, ou uma semana lá, meu inglês evoluiu e desabrochou muito mais que os 6 anos de prática da língua aqui.

Nessa minha primeira imagem de Londres destaco a educação, cordialidade, gentileza deste povo. E também na liberdade de expressão, estilo, que reflete nas roupas, que você nunca viu ou imaginou que pudesse existir. O Didiê me abriu os olhos, no metrô. – “Não fica olhando muito para as pessoas com roupas mais diferentes, eles podem não gostar, e reclamar.”

Conheci primeiro a zona 7, longe do centro, que é zona 1. É quase ‘countryside’, a casca da maçã, enquanto o centro são as sementes – grandes sementes. Casinhas de tijolo a vista, grande maioria com detalhes em branco, algumas vendinhas, estações do trem ou metro, e bares. Tudo parece meio igual. A distância de lá, ao centro, não sei ao certo, mas demorava 1h20min. O lugar que eu estava era quase um pólo daquela região, com shopping e muitos bares. Muuuuuuuuuitos bares, que eu fiz questão de desfrutar, já que a madrugada era meu único tempo livre, e eu estava conhecendo tanta gente nova. Naquela época eu já tinha me encantado por Londres.

Na segunda passada pela cidade da Rainha, fui como turista, e mais: de férias, merecidas férias. Daí eu me apaixonei de vez. Conheci tudo que não tive tempo de conhecer antes. E sem horários, sem compromissos. Acordava, pensava: “Bom, o que nós vamos fazer hoje?”, eu e eu mesma. Nada de opiniões adversas, imagine o desfrute que não foi. E nessa segunda vez eu destaco novamente a educação, cordialidade e gentileza dos que me ajudaram a achar meu hostel, acessando google dos celulares; dos que carregaram as minhas malas pesadas depois de 5h viajando e me apontaram por onde eu deveria seguir. E a liberdade que eu aprendi a ter com Londres, que me deixou explorar a cidade à minha maneira, ao meu estilo.

*

Comprei um moleton “I S2 London” depois dessa semana de desfrute. E recomendo que você vá lá, e se apaixone, e compre o seu também.

21
fev
10

Smile

Todos os dias, toda a refeição, a gente vai lá, botar os pratos para lavar, e dá de cara com um filipino, sorridente, baixinho, não mais que 1m45, que nos recepciona na maior alegria, apesar do trabalho duro que ele tem aqui no navio. A marca registrada dele é falar, toda hora: – “Ai ai aaai!”

No momento que eu me peguei falando aiaiai, além de dar oi, perguntar se está tudo bem, perguntei pra ele:

- Qual teu nome, hein?!

- Smile!! :D

- Smile???????? Como assim? Deixa eu ver o teu name tag?

- Ismail!! Ismail!! :D

- AAAAAAAaaah, Ismail!!

Huahauahua..que em função de ser tão sorridente, virou Smile.

Mas não era isso que eu ia falar…a história é que, numa dessas conversar rápidas, o sotaque filipino do Smile, dificultou a nossa comunicação.

Após uma reunião com todos os tripulantes, na qual foi anunciado o funcionário do ano, eu comentei com o Smile.

- Smile, tu que deveria ter ganhado o prêmio de funcionário do ano!!!!

Em inglês, obviamente. Ele, sorrindo, encabulado, comentou:

- Nããããão…Eu estava torcendo para a pilipin gun!!!!

Eu, sem entender direito, perguntei, gun? (arma, em inglês), fazendo mímica de arminha. Ele respondeu:

- Nooooooooo, gaaamm!! The pilipin gam!

- Gum, bubble gum????? O.o

Ele, já meio irritado, como eu nunca tinha visto antes…

- Noooooooooooo, giiiill!!! Like you…I’m boy, you’re a gill!!

- AAAAAAAaaah, GIIIIIRL!!!!!!!! The filipine girl!!

- Yeah, the pilipin giiill!!!

Huahuauhauhauhahuauauhaauhuhahua.

***

Realmente, trabalha-se muito aqui. Me divirto muito, também. As folgas são o que mais vale a pena, o que te faz pensar que apesar de toda saudade da família, dos amigos, da rotina, da cidade, dos costumes, essa vida tem recompensas.

É uma baita escola! Completa. Deveriam mandar as crianças para um navio por 1 mês, e não para a escola por 13 anos.

Estudo de línguas, português, inglês, espanhol, e tantas outras, base da comunicação, da ética, do respeito. Marketing. Expressão vocal, corporal, gestual.

Geografia, estudos sociais, em tantas cidades, mares, rios, mapas, culturas diferentes.

Matemática do tempo e do dinheiro, das horas de sono e de trabalho.

Arte exposta nas belezas da natureza, nas luzes e cores de cada pôr-do-sol visto do mar, na arquitetura das belas cidades, na dimensão das fotografias tiradas.

Ciências, da distância e do tempo de percurso, pra reencontrar os amigos e a família. Da vida animal, de aves quando se aproxima de terra, dos golfinhos.

Filosofia de bar, de quando se deita a cabeça no travesseiro, das políticas de trabalho, dos relacionamentos.

No meu caso, sobretudo, Educação Física, minha paixão, que vai além das teorias de fisiologia, ensina a resistência que o corpo tem em relação ao trabalho, a alimentação e a disciplina de um atleta, de uma vida regrada, os limites de cansaço, energia e motivação, usados ao extremo. Velocidade da vida corrida que levamos a bordo. Flexibilidade, força, concentração, objetivo, ação e resultado.




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